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O peso da sorte

"Para o MAI pouco mais de 150 euros pagam os riscos dos policias"


De acordo com o RASI, em 2015, três polícias perderam a vida no desempenho da missão. Nesta semana, foram baleados três polícias que, por sorte, não perderam a vida.

Em fevereiro, o ex-Presidente da República, numa visita à Escola Prática de Polícia (EPP), salientou o "elevado desgaste e risco permanente de uma profissão com funções de grande responsabilidade e sob pressão constante".

Em março, também na EPP e no seguimento da homenagem a um polícia morto em serviço, a ministra da Administração Interna, emocionada, chorou! Vemos com agrado que as entidades competentes se sensibilizem com esta realidade, é humano, mas deixa de ser quando, no dia seguinte, já tudo foi esquecido.

Em resposta a uma pergunta do Grupo Parlamentar do PCP, sobre o que o MAI pretende fazer para atribuir o subsídio de risco, a ministra refere que essa compensação consta no suplemento que é atribuído aos profissionais.

Em suma, para o MAI, pouco mais de 150 euros para quem inicia a carreira, pagam a exigência do cargo, o risco, a penosidade, a insalubridade, o desgaste físico e o desgaste psíquico dos polícias. É esta a exorbitância que, para o MAI, compensa a eventual perda de uma vida. Vale-nos a sorte!

 

Paulo Rodrigues, Presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia