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Muitos são os beneficiários da Polícia
Temos trazido a público situações que se prendem com as condições de trabalho dos polícias, não só ao nível das instalações, mas também de equipamentos.
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Muitos sectores da nossa comunidade subestimam a complexidade da atividade policial. Consideram o profissional de Polícia como uma figura que aparece para intimidar potenciais autores de delitos, sejam comuns ou criminais, e, caso o crime seja em flagrante delito, o agente de polícia responsabiliza-se por “levar” o infractor à cadeia, ou como se diz na gíria popular, ao “xadrez”.

Mas o agente de polícia deve ser considerado muito mais que um espantalho ou mero transportador de presos. Na prática, acabamos realizando trabalhos e funções bem distantes da formação técnica oferecida pelo Estado Português.

Infelizmente esse reclamo repetitivo é verdadeiro, pois verificamos que os profissionais de polícia exercem de forma indireta, no meu ponto de vista, cinco profissões diferentes, equidistantes e ao mesmo tempo polivalentes, durante o seu turno de serviço. Então consideremos:

Muitas ocorrências são solucionadas com boas orientações e conselhos dos polícias. Outras tantas acabam bem porque o Agente desconfia de uma mentira, após analisar o gesto de um suspeito e após chegarem informações, encontra o autor de determinado delito. Seja o cidadão em depressão que pretendia suicidar-se ou o casal que discute em via pública. Muitos são os beneficiários do “Polícia-Psicólogo”.

Cito outro exemplo, o papel do Assistente Social é amparar pessoas que de alguma forma não têm total acesso à cidadania. Diariamente os profissionais da PSP lidam com inúmeras pessoas que se enquadram neste perfil. Ouso dizer que nenhuma outra organização pública tem mais acesso a essa parcela da população que a PSP. Infelizmente, no nosso país, o Estado as vezes só se apresenta aos sectores menos favorecidos da sociedade através da presença policial. Assistir essas populações da forma que é possível acaba sendo uma atividade da polícia. Muitos são os beneficiários do “Polícia-Assistente Social”.

Pelas configurações que a missão da PSP apresenta, posso dizer que todo o agente de autoridade é um pedagogo da cidadania, à medida que todos interferem diretamente no inconsciente colectivo, seja através do exemplo, seja como regulador dos direitos e deveres em determinada comunidade, em que o agente exerce grande influência pedagógica entre os cidadãos. Muitos são os beneficiários do “Polícia-Pedagogo”.

Olhando pelo prisma policial posso afirmar com certeza ímpar, que nenhuma força de segurança em Portugal contrata administradores para gerir suas instituições. São os próprios profissionais de polícia os responsáveis por administrar as corporações e é essencial ter conhecimentos de gestão e administração até em pequenas esquadras e postos policiais. E mesmo sem conhecimento na área, aprender torna-se uma obrigação, para tornar mais eficiente o serviço. Todas as Esquadras e serviços da PSP são os beneficiários do “Polícia-Administrador”.

Quem nunca ouviu dizer que um patrulheiro de serviço, quando chega primeiro a uma ocorrência onde esteja a decorrer um incêndio e mesmo antes da intervenção dos bombeiros, muitas das vezes intervém tendo em mente sempre a possibilidade de prevenção e sem falsos heroísmos, ele usou a criatividade para evitar males maiores. Muitos são os beneficiários do “Polícia- Bombeiro”.

Por todas estas razões, a PSP desvia-se das suas missões constitucionais para atuar nas áreas acima referidas, chegando a haver inclusive, ênfase nestas tarefas em detrimento do que é inerente à atividade policial. Acaba por vezes substituindo órgãos especializados que deveriam estar presentes para atendê-las em diferentes valências ou sectores, suprem-se particularmente naquilo em que o Estado falha - o que não é pouco.

Não diria que “conclusão”, seja o termo mais adequado para encerrar este artigo, mas considerar todas essas peculiaridades é importante não só para quem olha de fora a profissão de polícia, mas também para os próprios polícias que devem se preocupar com cada uma dessas áreas. Obviamente, nenhum polícia deve se tornar um bombeiro corajoso, um exímio psicólogo ou um assistente social de destaque. Mas entender os recursos básicos que cada uma dessas áreas tem a oferecer é muito importante.

Mais haveria a mencionar, sem esquecer que o Polícia, tal como todos nós desempenha inúmeros papéis sociais, como pai, filho, marido, esposa, etc...

 

Adelino Camacho Coord. Regional ASPP/PSP Madeira