Um marco histórico na história da Polícia.

25 Anos depois, um curto caminho para uma grande mudança.

Álvaro Marçal

 

 

 

 

 Por Álvaro da Silva Marçal

 Sócio n.º 13

 

 

 No dia 21 de abril de 1989, tinha 30 anos de idade, era 2.º Subchefe, estava no CI - Corpo de Intervenção, encontrava-me de Serviço Operacional no PAM – Pelotão de Alerta Máximo.

Comandando uma das três Secções do PAM -Pelotão de Alerta Máximo ou seja, o Pelotão que, em situações de alteração da ordem pública é chamado a intervir em primeira mão, alinhei, com o meu pelotão, na frente do dispositivo de Ordem Pública a quem o Comandante do CI, por ordem do senhor Comandante Geral da PSP, deu ordens para dispersar os colegas da Pró-Sindical, hoje ASPP/PSP. Estes camaradas encontravam-se reunidos na Praça do Comércio a aguardar uma delegação de seis colegas que se deslocaram ao interior das instalações do Ministério da Administração Interna para entregar uma Moção ao ministro, que se recusou a recebê-los. Ainda no interior do MAI, os seis colegas foram detidos e conduzidos aos calabouços da Esquadra de Queluz, onde aguardaram, sob detenção, até serem presentes, pelas 10h00 do dia seguinte, ao Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa.

Os colegas da Pró-Sindical, pelas 17h30, aguardavam com muita ansiedade, com elevada expectativa e de forma ordeira e pacífica os nossos seis camaradas que se dirigiam ao MAI para entregar uma moção que tinha sido aprovada, por unanimidade, naquela tarde, na Voz do Operário, por centenas de Polícias que se deslocaram de toda a parte do país e que, findo o plenário, se dirigiram para a Praça do Comércio.

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O dispositivo do Corpo de Intervenção, fortemente reforçado naquele dia, aguardava o desenrolar dos acontecimentos na Praça do Município, frente à porta principal da Câmara Municipal. Aguardámos muito tempo no interior das carrinhas, mantendo um silêncio muito contido e no mínimo estranho. Num dado momento, apercebemo-nos que os colegas tinham chegado à Praça do Comércio, porque centenas de populares que ali se começaram a juntar e a tentar rodear o nosso dispositivo, batiam palmas insistentemente.

O ambiente era de elevada tensão, temia-se a necessidade de termos de sair das carrinhas a qualquer momento. Os órgãos de comunicação social tentavam captar reacções da nossa parte, a propósito de uma eventual e cada vez mais óbvia intervenção contra os colegas.

Eu sentia um misto de elevada cumplicidade em tudo o que estava a ocorrer. Durante semanas, colaborei com os colegas da Pró-Sindical na preparação do encontro na Voz do Operário.