CM 

Cosa nostra

Temos trazido a público situações que se prendem com as condições de trabalho dos polícias, não só ao nível das instalações, mas também de equipamentos.
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Após a manifestação de polícias de Março, um alto responsável do País confidenciou-me que estava muito preocupado com o impacto negativo que essa manifestação teria na credibilidade de Portugal. E que os polícias tinham uma grande responsabilidade na imagem do País e exigia-se uma postura irrepreensível. Gostava de saber o que este senhor pensa da imagem que os últimos acontecimentos reflectem para o exterior, como o caso do ex-presidente do BES, do BPN, dos responsáveis políticos sob investigação por crimes contra o Estado, com a revelação de algumas personalidades terem subtraído dinheiros públicos para criar riquezas, entre muitos outros acontecimentos que são públicos e outros que virão a ser. Como cidadão com a função de polícia, ter de realizar uma manifestação para que os problemas dos polícias sejam ouvidos entristece-me, mas ter de me sujeitar a viver com o facto de algumas famílias terem brincado durante décadas com a vida de quem trabalha, de alguns políticos terem vendido a sua moral ou algumas personalidades ditas importantes terem, durante mais de 30 anos, praticado crimes à descarada sem qualquer consequência, envergonha-me. Como pode o País perseguir alguém que furtou pão num estabelecimento quando fecha os olhos à existência de organizações mafiosas a administrarem a nossa vida?

 

Paulo Rodrigues, Presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia