"Não convém que pensem que a ilha é um mar de rosas"

"Não convém que pensem que a ilha é um mar de rosas"

 

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, por intermédio de Adelino Camacho, alerta para efeitos da sobre­carga de trabalho da Polícia, devido à pressão turística sazonal e da insularidade.

O comissário da PSP e dirigente sindical da (ASPP/PSP) na Madeira, Adelino Camacho, traçou as principais prioridades para 2026, defendendo medidas concretas para valorizar os profissionais, melhorar as condições de trabalho e reforçar a capacidade operacional da polícia na Região Autónoma da Madeira (RAM).

Já em pleno novo ano, Adelino Camacho considera que “abre-se um período propício à reflexão sobre os desafios que se colocam à segurança e proteção da população”, sublinhando que a realidade insular exige respostas ajustadas e diferenciadas face ao todo do território continental.

Um dos pontos críticos identificados, conforme partilha com o JM, prende-se com as infraestruturas, em particular no Aeroporto Internacional da Madeira – Cristiano Ronaldo, considerado um ponto estratégico para a segurança regional. Segundo o dirigente sindical, o espaço carece de “infraestruturas adequadas, boxes de controlo suficientes e condições físicas condignas”, alertando que a ausência dessas condições limita a capacidade de atuação dos profissionais e pode colocar em risco a segurança pública e a saúde laboral.

A valorização salarial e a atribuição de suplementos específicos surgem igualmente como prioridades a breve prazo. “Os profissionais que exercem funções em aeroportos devem ser justamente compensados pelo esforço e risco acrescido”, destaca Adelino Camacho, defendendo que neste ano de 2026 seja assegurada “a aplicação justa da tabela remuneratória, da portaria de avaliação e dos suplementos específicos”, sem discriminação dos profissionais da Madeira.

O dirigente sindical reiterou, igualmente, a exigência do subsídio de insularidade, lembrando se tratar de uma reivindicação antiga, e anunciou a intenção de retomar negociações com o Governo Regional, nomeadamente com a Secretaria Regional da Saúde e Proteção Civil, visando a atribuição de suplementos aos operadores do 112 do Comando Regional da PSP. “É uma questão de justiça e de reconhecimento do trabalho exigente que estes profissionais desempenham na primeira linha da emergência”, fundamenta, defendendo um regime semelhante ao que já existe no Continente, relativamente ao INEM.

A saúde mental dos polícias é outro eixo cen­tral das preocupações da entidade sindical. Adelino Camacho alerta para aquilo que diz serem os efeitos da sobrecarga de trabalho, da pressão turística sazonal e da insularidade, fatores que, no seu entendimento, podem conduzir a situações de stress ocupacional, burnout e risco de suicídio. “Nenhum colega pode ficar sozinho perante estas dificuldades”, frisou, defendendo a implementação de programas de apoio psicológico contínuo e adaptados à realidade regional.

Apesar de reconhecer que os índices criminais na Madeira se mantêm em níveis aceitáveis, o comissário deixou um aviso: “Não convém que o Comando Regional nem a própria Região durmam à sombra da bananeira, nem pen­em que a ilha é um mar de rosas”. Para Adelino Camacho, consoante adita, “a segurança pública exige vigilância permanente, antecipação de riscos e preparação constante, independentemente das estatísticas”.

No plano negocial, o dirigente sindical foi claro ao afirmar que os profissionais que exercem funções em aeroportos devem ser compensados pelo esforço e risco acrescido. Adelino Camacho quer entendimento com o Governo deve contemplar explicitamente o arquipélago. “Não aceitaremos soluções que deixem a Madeira em desvantagem face ao Continente”, afirmou, apontando a escassez de efetivos, a elevada carga horária e as dificuldades logísticas como problemas estruturais da região.

O sindicato garante, ainda, que manterá uma postura ativa e reivindicativa em 2026, estando preparado para promover plenários, protestos e ações de sensibilização em pontos estratégicos, caso seja necessário. “Estas ações não são apenas reivindicações salariais, são exigências de segurança, dignidade profissional e qualidade do serviço público”, sublinhou.

Entre as outras prioridades definidas para 2026, estão a modernização das infraestruturas policiais, incluindo esquadras que necessitam de obras na Madeira e no Porto Santo, a garantia de suplementos para funções de maior risco ou sobrecarga, a aplicação equitativa da tabela remuneratória, a continuação da luta pelo subsídio de insularidade, a valorização dos operadores do 112 e o reforço do apoio psicológico aos profissionais.

“A segurança da população da Madeira depende de profissionais motivados, valorizados e preparados”, concluiu Adelino Camacho, garantindo que o sindicato continuará a lutar “de forma firme e responsável” para que estas condições sejam asseguradas ao longo de 2026.

 

Por Paulo Graça pau­lo­graca@jm-madeira.pt

05.jan.2026

 

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