Provedor ou Provocador?

Provedor ou Provocador?

Em pleno mês de agosto, marcado por inúmeros eventos na Região Autónoma da Madeira, os profissionais da PSP enfrentam uma carga de trabalho acrescida, exigente e intensa. Mesmo sob pressão operacional, continuam a servir com profissionalismo e dedicação. É neste contexto que se torna ainda mais injusta e desmotivadora a recente posição do Senhor Provedor de Justiça.

A recente posição do Provedor, relativa à atuação da PSP na operação no Martim Moniz, gerou perplexidade entre cidadãos e profissionais da segurança. A adjetivação usada para descrever a atuação da PSP foi desproporcional e injusta, tendo em conta os factos objetivos da intervenção.

Num Estado de Direito, o escrutínio das instituições é essencial e saudável. Contudo, esse escrutínio deve ser fundamentado, rigoroso e isento e não pautado por juízos precipitados ou interpretações ideológicas. Infelizmente, neste caso, tal equilíbrio não se verificou.

A intervenção da PSP foi devidamente planeada, autorizada por mandado judicial, e acompanhada por um magistrado no local. Posteriormente, foi validada pelo Ministério da Administração Interna (MAI) e pela Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), entidades independentes e competentes. A atuação baseou-se nas Normas de Execução Permanente (NEP), documentos técnicos, operacionais e juridicamente sólidos, baseados nas melhores práticas policiais europeias.

Causa estranheza, portanto, que o Senhor Provedor tenha sugerido a existência de abuso nas abordagens e revistas pessoais realizadas pelos agentes da PSP. Recorde-se que o Provedor de Justiça tem como missão defender os direitos fundamentais, promover uma administração pública justa e eficaz, e atuar como fiscal informal da legalidade. Mas essa função exige, acima de tudo, respeito pela verdade dos factos.

Não houve abuso nem discriminação. A intervenção foi ordeira, proporcional e respeitosa. Não existem imagens, relatos ou relatórios que sustentem qualquer acusação grave. O Senhor Provedor, que dispõe de meios de investigação e acesso direto à informação, sabe que a atuação da PSP foi legal, legítima e não diferenciou cidadãos com base em cor, origem ou estatuto legal.

Por isso mesmo, o tom e o conteúdo da sua intervenção revelam-se desajustados. O que deveria ser um parecer técnico e ponderado soa antes como uma opinião política ou ideológica, algo que, vindo de quem ocupa um cargo desta natureza, fragiliza a própria instituição que representa.

A PSP é uma das forças mais antigas e fiscalizadas do país. Os seus profissionais atuam sob permanente escrutínio interno e externo, e enfrentam desafios complexos todos os dias. Confundir firmeza com autoritarismo, ou confundir cumprimento da lei com abuso, é não apenas injusto, mas perigoso.

A Provedoria de Justiça é essencial para a democracia. Mas o respeito entre instituições deve ser recíproco. A PSP respeita o papel do Provedor, mas também espera que esse respeito se traduza em avaliações sérias, imparciais e sustentadas em factos. Lançar suspeitas públicas sem fundamento factual não serve a justiça, nem a sociedade.

Neste contexto, seria adequado um esclarecimento público por parte do Senhor Provedor. E talvez até um pedido de desculpas aos profissionais da PSP que, injustamente, viram a sua conduta ser posta em causa. A honra institucional também é um valor a proteger. A segurança pública é um dos pilares da democracia. É construída com base na legalidade, proporcionalidade e respeito pelos direitos humanos. Mas também com esforço, sacrifício e coragem. E por isso, os polícias que continuam a servir com dedicação, em todo o espaço nacional e regional, merecem reconhecimento e, não acusações infundadas.

E já que falamos de justiça e ação policial competente, é justo reconhecer o excelente trabalho da Polícia Judiciária do Funchal na rápida identificação e recolha de prova no caso do agente da PSP esfaqueado durante as Festas de São Pedro, na Ribeira Brava. O Tribunal Judicial da Comarca da Madeira decidiu com celeridade e rigor, aplicando ao agressor a medida de coação de prisão preventiva. A justiça funcionou, a articulação entre forças foi exemplar e a dignidade de quem arrisca a vida pela segurança de todos foi, como deve ser, respeitada.

Adelino Camacho

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